Depois de um dia agitado eu resolvi ir para casa. Não estava cansada, nem triste, nem chateada... Só confusa. O nome do menino que eu encontrei no shopping é Douglas. Ele estudou comigo da primeira à quinta série. Como eu me esqueci dele não é difícil de entender. Como ele se lembrou de mim que era a questão. Eu não era muito... atraente naquela época. Não chamava muita atenção dos garotos. Principalmente de Douglas.
Ele foi para mim o que todos chamam de primeiro amor. Eu gostava dele, ele nem me olhava... Aquela história de sempre. Lembro-me de uma vez que ele deu um presente para a menina mais bonita da classe e eu desabei em lágrimas. Eu ficava sonhando com o dia que ele chegaria até mim e diria que eu era a menina mais linda do mundo e que eu conquistei o coração dele. Mas isso não aconteceu e eu perdi contato com ele. Para falar eu perdi o contato com quase todo mundo daquela escola. E eu nunca imaginaria que ELE se lembraria de mim... Mas enfim, o dia foi estranho e maravilhoso. Conversamos bastante e trocamos telefone, msn, orkut e tudo mais. Às vezes eu ficava um tanto desconfortável com o jeito de ele me olhar e de falar, meio que dando uma de conquistador. O que ele não sabia era que meu coração era única e exclusivamente do Luca e que nenhum olhar, por mais atraente que fosse, mudaria isso.
A tarde toda nós falamos dos tempos que estudamos juntos, apesar de eu ser totalmente contra esse assunto. Ele se lembrava de mim e dizia “nossa, o tempo foi bem generoso com você!” e eu considerava um elogio. O Douglas sempre foi, além de lindo, inteligente e tirava boas notas na escola. Tanto que ele pulou uma série, por ser, como ele gostava de dizer, um autodidata. Por isso ele já estava indo para o segundo ano na faculdade. Ele cursava medicina e eu pensava que com certeza ele teria muitas pacientes. Eu estava em meio a esses pensamentos e ouvindo-o falar sobre as matérias chatas da faculdade quando meu celular tocou. Eu pedi licença e fui para um lugar um pouco afastado atender. Quando eu vi o nome eu perdi meu chão. Luca. Eu realmente estava com saudades, mas sinceramente não pensei que ele fosse me ligar por dois dias seguidos. Atendi com uma felicidade forjada e quem respondeu do outro lado foi uma garota, também brasileira, mas com sotaque americano muito forte. Fiquei parada, perdi a fala. Ouvi uma confusão e umas risadas do outro lado da linha e depois a voz do Luca. “Ellen meu anjo! Desculpa a confusão aqui, foi a Jéssica que tomou o telefone da minha mão e te ligou.” Antes que eu pudesse pensar em perguntar QUEM ERA ESSA JÉSSICA ele disse que era uma amiga dele, colega de sala, que ele conheceu lá e quem coincidentemente também morava na nossa cidade. Eu tentei dizer que era bom que ele fizesse amizade com ela, porque eles já tinham isso em comum e tal, mas eu acho que gaguejei mais do que tudo. Eu sempre ficava nervosa e gaguejava nessas situações. A Tamy diz que isso é normal em pessoas que não conseguem controlar ou esconder o ciúmes. Ela sempre diz que eu sinto ciúmes do Luca por ele estar longe de mim. Acho que isso é verdade. Não queria deixar minha insegurança e idiotice tão visível (ou audível, no caso), mas acho que não consegui esconder. E percebi isso quando ele disse para eu não me preocupar, porque ele me amava. Ele era um fofo, sempre sabia o que eu estava sentindo, me conhecia como ninguém. E, nossa, que bom que ele me amava. Depois de um bate papo meio besta ele disse o verdadeiro motivo da ligação e essa foi a real surpresa. Ele disse que precisaria vir ao Brasil para buscar alguns papéis para poder morar lá, que não estavam completos e por isso ficaria por aqui durante uma semana. Eu quase desmaiei de emoção. Meu Luca viria e ficaria por uma semana comigo. Era verdade que, por coincidência, a Jéssica viria também, mas isso não importava. E era até bom, pois eu a veria com meus próprios olhos. Meu dia não poderia terminar melhor!
Voltei para a mesa onde o Douglas estava me esperando, mas não pudemos terminar a conversa. Ele disse que precisaria sair para resolver a renovação da matrícula na faculdade e já estava um pouco atrasado. Não me abalei nem um pouco. Trocamos dois beijinhos no rosto e observei enquanto ele saia apressado pelo shopping. Eu estava nas nuvens.

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