Ainda era cedo quando recebi a mensagem, 6 e 23 da manhã. "Ainda é de madrugada!". Mas eu não estava tão indisposta assim. Eu não queria perdoa-lo, mas ao mesmo tempo queria ir correndo para a praça e me lançar em no abraço quente e gostoso dele. Eu não queria vê-lo, mas ao mesmo tempo queria olhar nos seus olhos e dizer tudo o que sentia, tudo o que estava escondido no lugar mais fundo do meu coração. Levantei correndo, decidida. Tomei banho em um flash, vesti uma blusa justinha, um jeans meio desbotado, peguei minha bolsa, calcei as sandálias, soltei o cabelo cheio e cacheado, dei um beijo na testa de Tamy, que ainda estava dormindo e desci. Não queria tomar café, nem perder tempo. Pensei em pegar um ônibus, mas o mesmo demoraria, a final era dia de sábado. Fui andando mesmo. Devagar. Eu queria pensar. Nada parecia igual, tudo estava tão estranho... As ruas estavam mais longas, as pessoas mais cansadas, o verde mais desbotado... "Isso é tudo coisa de minha cabeça." Realmente. Eu estava ansiosa, impaciente. Queria tratar logo do que quer que fosse com Luca. Quando menos eu o visse nessas férias, melhor seria. Ou não. Demorei uns 20 minutos para chegar até o lugar combinado. E se ele não aparecesse, como na tarde anterior ? E se ele dissesse que ia embora, que ia viajar ? Sacudi a cabeça tentando afastar o pensamento. Sentei-me em um banquinho, alguns metros antes da praça. Senti o vento batendo em seu rosto, levantando meus cabelos e massageando minha nuca. O sol esquentando meu rosto e corando minhas bochechas. Aquilo era vida! Era uma sensação tão boa. Eu queria ficar assim pra sempre. Respirei fundo tentando encher os pulmões com aquele ar quente-frio puro, abri os olhos a contra gosto e levantei-me. Cambaleei um pouco, estava meio tonta por ficar naquela posição. Era isso. Ou eu ia encontrá-lo ou ia embora, dessa vez para sempre. Ouvi o telefone tocar na bolsa e fui atender. Era apenas um torpedo.
Suspirei e um sorriso brotou meio que sem querer. Era apenas o empurrãozinho que eu estava esperando sem saber.
Fui caminhando lentamente até a praça, tentando adiar o máximo possível ver os olhos mel-atraentes de Luca. Não sabia que reação teria ao vê-lo, não sabia nem se teria alguma reação. "Oi..." Virei sobressaltada. Não esperava que ele me surpreendesse por trás. "Oi, ahn, Luca...". Um arrepio e uma onda de calor subiu pelo meu corpo deixando a minha bochecha ainda mais corada. Eu tentei esconder o rosto, mas me embaracei e deixei cair minha bolsa e o telefone no chão. Na mesma hora nós dois nos abaixamos para pegar os objetos. Eu nunca tinha ficado tão perto assim do rosto dele, dos seus olhos de ouro-líquido. "Ér, o-obrigada, mas pode... pode deixar que..." Eu não consegui completar a frase. Os lábios de Luca pressionaram os meus com pressa e com amor incontrolável. Eu não conseguia raciocinar, não conseguia nem pensar. Eu não sabia nada, só sabia que tinha Luca ali comigo, para mim. Eu queria que aquele momento se eternizasse, queria que nada mais existisse. Só eu e ele.
"Eu te amo, Ellen." Foi a única frase sussurrada por ele naquele momento.

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