Eu praticamente pulei da cama, voei para o banheiro, tomei banho ligeirinho, vesti o vestido que ele havia me dado no dia do meu aniversário. Era azul, de alcinha e rodadinho. Azul era a cor favorita de Luca. Eu lembrei da primeira vez que vesti aquele vestido, no dia seguinte do seu aniversário e Luca ficou todo orgulhoso. Senti os olhos encherem de lágrimas e lavei o rosto. Desci correndo, calcei uma percata, passei um gloss e rímel, peguei a bolsa e sai. Esqueci de tomar café, mas isso eu resolveria outra hora. O mais importante era chegar no aeroporto. O vôo de Luca estava marcado para nove horas. Eu tinha duas horas para chegar lá. Não quis esperar o ônibus e pegou um taxi. Tudo estava tão corrido e eu tão aérea que nem prestei atenção quando o taxi chegou ao aeroporto. “São 2O reais e 45 minha senhora”. Dei uma nota de 2O e uma de 5 ao motorista e não me importei com troco. Quem se importa com o troco quando o namorado está indo embora? Subiu a escada rolante correndo para chegar ao saguão. Tudo ali era tão grande e iluminado. “Ellen! Aqui!”. Ah, essa era a voz. Eu corri empurrando as pessoas sem me importar em pedir desculpas. Eu não via mais ninguém, eu não queria mais ninguém. Pulei nos braços de Luca e ali fiquei um bom tempo. “Você está linda!” As lágrimas não conseguiram se conter. Eu chorava como um neném e não tinha vergonha das pessoas que passavam olhando. Eu beijava e abraçava Luca e olhava dentro dos olhos dele e abraçava de novo. “Eu vou sentir tan... Eu prometo que vou li...” Eu não o deixava completar uma frase sequer. Os minutos foram se passando e eu ali, aninhada nos braços dele só para sentir seu toque. Queria gravar seu cheiro, seu hálito, sua textura... Tudo. Quando o sinal de embarque soou eu sentiu o chão sumir de debaixo de meus pés. Era a hora que eu perderia seu Luca por um bom tempo. A única garantia que eu tinha de que não o perderia para sempre era sua palavra que eu insistia em lembrar, para ter onde se apoiar quando tudo se tornasse solidão: “Não se preocupe meu amor, eu nunca vou te abandonar, não importa a distância... nunca.”.
Luca levantou-se e olhou no fundo dos meus olhos, como se deles ele pudesse ver minha alma. E sorriu como se encontrasse alguma resposta. Sorriu de vota para ele. Eu sabia a resposta que ele teve. Que eu sempre o amaria, sempre o esperaria, não importa o tempo que levasse para reencontrá-lo outra vez. Além disso era tão bom se deixar levar pelos olhos de Luca, era como se deixar levar para o céu. “Eu te amo Luca.” Suspirei. “Eu também te amo, Ellen.”. O nosso último beijo não foi desesperado como o de quem sabe que nunca mais vai se ver... Foi um simples tocar de lábios, como os de duas pessoas que estão se despedindo, mas que sabem que vão se ver no final do dia... Dia aquele que duraria anos.
Viu o Luca se afastar cada vez mais naquele saguão que de repente perdeu toda a luz e se tornou um breu triste e angustiante.

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