Eu sai do aeroporto banhada em lágrimas. Não imaginava que sentiria tanto a partida dele. Na rua tudo parecia estranho. Sai um pouco constrangida por chorar tanto, mas reparei que ninguém prestava atenção em mim. Entrei em uma lanchonete barata e pedi um sorvete. Quem sabe uns docinhos não me ajudariam...
Uma coisa eu não entendia. Como é que Luca sempre gostou de mim, mas só me deixou saber um dia antes de ele ir embora? Como ele pode perder uma boa parte da sua vida escondendo um amor que era recíproco? Peguei o celular querendo ligar para Tamy... Mas ela ainda estava dormindo. Desisti de ligar pra qualquer um. O que eles poderia fazer? Nada que eles dissessem ia mudar a tristeza que eu estava sentindo. Olhei ao meu redor e viu as pessoas. Algumas apressadas, correndo contra o tempo, outras tranqüilas comendo um lanche, outras nervosas, preocupadas. Mas duas pessoas chamaram me a atenção. Era um casal que parecia não se importar com nada, nem com as pessoas apressadas, nem com as nervosas, nem com as preocupadas. Eu não queria admitir, mas senti uma pontinha de inveja delas, pelo simples fato de se amarem e poderem estar juntos. Comecei a sentir o estomago embrulhando, como se milhares de borboletas estivesse voando juntas dentro dele. Senti uma dor aguda na garganta, como se tivesse dado um nó, e algo como uma martelada na cabeça. Depois disso eu não viu e nem ouvi mais nada. De repente apenas um clarão, como se a luz perfurasse meus olhos. Eu não tentei abrir os olhos, estava melhor assim, queria ficar assim até poder ver o Luca outra vez. Quanto menos tempo eu ficasse consciente melhor. Melhor, pois não me lembraria. Tentei perguntar o que aconteceu comigo, mas só saíram alguns monossílabos difíceis de entender. Até que consegui distinguir a voz de um homem. “Você está bem mocinha? Venha, tome uma água.”. Eu não estava bem. Uma súbita vontade de chorar foi crescendo e eu não consegui me controlar. Chorava com uma menininha machucada. O que mais eu queria era minha mãe, minha casa, meu quarto. Meu Luca. “Venha, vou te colocar em um taxi.”... Taxi não, eu quero pegar um avião!
Em casa nada que minha mãe dizia conseguia me acalmar. Era como se ela falasse e as palavras soassem como um sino, que faz barulho, irrita e não serve pra muita coisa. Era uma e pouca da tarde e eu estava deitada na cama. A ultima coisa que eu queria era companhia. Nunca eu quis ficar tão sozinha, vagando em meus pensamentos. A essa hora Luca estava no avião. Eu me perguntava se ele sentiria minha falta, se ele seria fiel... Se ele um dia voltaria para mim, para que nós tivessemos o nosso final feliz... Mas isso não era um conto de fadas.
Minha mente vagava, meu coração chorava emeu mp4 ligado no volume máximo tocava: “Se fosse só sentir saudade, mas tem sempre algo mais. Seja como for é uma dor que dói no peito... ♪”

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